quinta-feira, 30 de julho de 2015

ARTIGO: A IMPORTÂNCIA DE CONHECER A LIBRAS PARA O EDUCADOR

Fonte: Google Imagens
Diego Sebastião Fagundes

RESUMO

Da mesma forma que a Língua Portuguesa está para nós ouvintes, ou seja, como primeira língua, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) está para os surdos. Sendo assim, é necessário que os educadores conheçam e interiorizem todo o contexto que rege essa que não é uma simples simbologia, mas uma verdadeira forma de linguagem encarregada de transmitir todo um articulado de emoções, e que está cada vez mais presente em nossas salas de aula e no cotidiano em si.

Palavras-chave: Língua Brasileira de Sinais; Surdos; Educadores.

1 INTRODUÇÃO

            Muitas pessoas consideram a LIBRAS como um simples mecanismo de codificação, pelo qual se substitui a fala por sinais.
            Na verdade, a LIBRAS é bem mais do que isso, pois sua estrutura mostra-se bastante complexa, sendo necessária além da destreza nos gestos, uma sensível percepção das emoções envolvidas, acompanhamento facial e corpóreo, além é claro do perfeito conhecimento de cada sinal. Nas escolas, a inclusão de deficientes auditivos é cada vez maior, por isso a necessidade dos profissionais em educação terem conhecimento dessa forma de linguagem.
            Esse artigo trata da importância do estudo e conhecimento da LIBRAS por parte dos educadores, porque dessa forma estarão ratificando o verdadeiro ideal de inclusão escolar, social e de valorização humana.


2 LIBRAS: UM DESPERTAR PARA A PLENITUDE DO SURDO

            De acordo com Dizeu (2004), “Quando a sociedade ouvinte marginaliza o surdo e não o respeita como cidadão com deveres e direitos diante da sociedade, isso cria um estigma de deficiente que não o leva a se desenvolver plenamente”. Apesar de, aos poucos, o surdo estar tendo uma maior valorização, ainda percebe-se algumas situações preocupantes relacionadas a atitudes de indiferença e inclusive de preconceito. Nesse sentido, a formalização da LIBRAS é de fundamental importância, pois possibilita ao surdo a abertura de novos caminhos, antes quase que totalmente ocultados pela falta de uma linguagem de maior referência.
            Os gestos e sinais são a principal forma de comunicação do surdo, tanto com pessoas ouvintes como com pessoas também surdas. Nesse processo, a LIBRAS adquire uma tarefa importantíssima, como descreve Dizeu (2004): “A língua de sinais representa um papel expressivo na vida do sujeito surdo, conduzindo-o, por intermédio de uma linguagem estruturada, ao desenvolvimento pleno”.  A Língua Brasileira de Sinais, como língua materna do surdo, o torna mais independente à medida que o mesmo consegue expressar muitas de suas idéias e sentimentos que antes eram considerados quase que exclusivos da oralidade.


3 A LIBRAS E O EDUCADOR

            A presença de alunos surdos nas instituições de ensino vem aumentando cada vez mais, desde a Educação Infantil até o Ensino Superior. Diante desse quadro, a necessidade de aperfeiçoamento por parte dos educadores é iminente, e a LIBRAS acaba tornando-se a ferramenta principal que merece vasta dedicação e estudo.
            Segundo Dias (2002), “A procedência da língua de sinais como um dos principais mediadores de conteúdos acadêmicos e da transmissão da cultura surda deve-se ao fato dela ser a língua natural dos surdos e de ter sido construída pela comunidade, ao longo dos anos”. Como se pode ver, a língua de sinais não surgiu só da necessidade do surdo se comunicar, mas também de interagir, se expressar, estudar, reclamar, opinar, amar, enfim. O educador, por sua vez, deve primeiramente respeitar e reconhecer a língua de sinais como língua materna do surdo, da mesma forma que a língua portuguesa é para os ouvintes. Em seguida, é necessário muito empenho no estudo da LIBRAS propriamente dita, pois sua estrutura linguística possui características muito particulares e gestos às vezes bem parecidos, o que pode dificultar o entendimento por parte da pessoa surda, ocasionando inclusive confusões.

           
4 CONCLUSÃO

            O educador, ao ter domínio da LIBRAS, estará um passo a frente dos demais, pois o ingresso de alunos com deficiência auditiva nas classes de ensino regular cresce gradativamente, exigindo dessa forma profissionais qualificados e preparados para o contato com esses educandos.
Muitos professores não dão importância ao conhecimento da língua de sinais, achando que nunca irão precisar da mesma. No entanto, a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais está assegurada em lei específica, e a qualquer momento poderá ser preciso trabalhar com alunos surdos em sala de aula, ou mesmo no convívio do dia-a-dia.
A LIBRAS é uma linguagem de estrutura bastante complexa, porém, componente de suma importância na formação dos educadores em geral, pois seu domínio é sinônimo de oportunidade, inclusão e respeito para com os alunos que não escutam.


5 REFERÊNCIAS

DIAS, Tarcia Regina da S. Uma análise sobre o ensino de LIBRAS a familiares ouvintes de alunos surdos. Disponível em: <http://www.anped.org.br/reunioes/26/trabalhos/tarciareginadasilveiradias.rtf> Acesso em: 03 abr. 2009.

DIZEU, Liliane C. T. de B. A língua de sinais: constituindo o surdo como sujeito. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/es/v26n91/a14v2691.pdf> Acesso em: 03 abr. 2009.

THE IMPORTANCE OF KNOWING THE POUNDS FOR THE EDUCATOR
 
ABSTRACT



Just as the Portuguese language is for us listeners, that is, as a first language, the Brazilian Sign Language (Libras) is for the deaf. Therefore, it is necessary for educators to know and internalize the whole context that governs that it is not a simple symbolism, but a true form of language in charge of transmitting an entire articulated emotions, and that is increasingly present in our rooms classroom and daily life itself.
 

Keywords: Brazilian Sign Language; Deaf; Educators.

SUGESTÃO DE OFICINA DE MATEMÁTICA (NÚMEROS ORDINAIS - 3º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL)

* Turma: 3º Ano do Ensino Fundamental
Fonte: Google Imagens


Conteúdos:
- Números ordinais.

Objetivos:
- Compreender o conceito e exercitar aplicações de números ordinais utilizando materiais manipuláveis;
- Estimular o raciocínio lógico matemático e o cálculo mental.

Justificativa: Considerando as dificuldades encontradas pelos educandos em entender o conceito e as aplicações de números ordinais no 3º Ano do Ensino Fundamental, produzir-se-á uma oficina pedagógica com o uso de materiais manipuláveis, tendo em vista que o emprego dessa sistemática possui características que possibilitam melhores resultados nos processos de aprendizagem.

Metodologia:

Trabalho com números ordinais


            Antes de dar início à atividade, rememorar números ordinais em conjunto com os estudantes (conceito, utilização, exemplos, enfim); após, explicar a prática em si (antes de tudo, formar duplas de alunos pelo número da chamada: o 1 e o 2; o 3 e o 4; etc.; em seguida, explicar que vamos utilizar cartolina branca, régua, lápis, borracha, cola e tesoura para confeccionarmos miniaturas de prédios de quatro andares, para que possamos analisar a ordem dos pisos (1º, 2º, 3º e 4º). Mais tarde, orientar que cada participante da dupla fará uma etapa do trabalho (estimular a divisão das tarefas); depois, pedir para os aprendizes riscarem na cartolina um retângulo de 44 x 40 cm; no lado que tem 44 cm marcar quatro divisões, sendo três de 10 cm e uma de 11 cm (essas divisões irão servir para dobrar e montar o corpo do prédio; o 1 cm que sobra da última divisão é onde será colado); já na parte que tem 40 cm marcar cinco divisões de 8 cm (essas divisões apenas delimitarão os andares, sendo que os alunos poderão desenhar janelas nos mesmos). Após o desenho, o recorte, as dobras e a colagem, o prédio estará quase pronto; faltará apenas colar o “teto” que será produzido de acordo com as medidas do prédio; o chão será uma folha de papel dobradura onde todas as duplas fixarão seus prédios. A partir dessa etapa, visualizar com os aprendizes as dimensões do prédio: quanto cm tem de altura, de largura, quanto de altura teria cada apartamento (andar, piso), enfim; em seguida perguntar: “Qual é o 1º andar? E o 2º?” (mostrar que nos prédios a ordem começa de baixo para cima; questionar sobre quantos andares tem o prédio que construíram; propor pequenos desafios: “E se eu quisesse ir do 2º ao 4º andar, quantos teria de percorrer?” Enfim.).

Recursos:

- Tesourinhas, lápis, borracha, cola, cartolina, papel dobradura, régua.

ARTIGO: A ESTATÍSTICA NO COTIDIANO ESCOLAR

Diego Sebastião Fagundes

Fonte: Google Imagens
RESUMO

A utilização de dados estatísticos se faz presente nas mais diversas áreas e sua importância cresce à medida que a necessidade de resultados precisos também aumenta de forma significativa. Na escola não deve ser diferente, pois os vários indicadores auxiliam na tomada de boas decisões; já na sala de aula os alunos precisam aprender a trabalhar com estatística para criticar e realizar uma melhor análise de confiabilidade daquilo que lhes é apresentado no dia-a-dia através da mídia.

Palavras-chave: Estatística; Escola; Análise de confiabilidade.


1 INTRODUÇÃO

            É através de apontamentos estatísticos que vários setores como governos e empresas gerenciam melhor suas atividades, obtendo padrões de eficácia e de desempenho bem superiores.
            Já nas escolas isso às vezes passa despercebido pelos gestores que não se dão conta dos altos índices de repetência, de evasão, da diminuição de alunos etc., e então, sem uma verdadeira análise, demoram muito mais para encontrar soluções para determinado problema.
O estudo de estatística na educação básica é bastante limitado, e por isso os acadêmicos acabam encontrando dificuldades com essa disciplina no Ensino Superior, ficando inclusive mais expostos a julgamentos errôneos.
            Esse artigo trata da importância do estudo e conhecimento de Estatística no cotidiano escolar, tanto pelos gestores quanto por professores e alunos.


2 ESTATÍSTICA: SUBSÍDIO IMPRESCINDÍVEL NA GESTÃO ESCOLAR

            Na administração das escolas a coleta de dados estatísticos (número de alunos, porcentagem de masculinos e femininos, defasagem idade/série, índices de repetência, enfim) se faz presente em inúmeras etapas do trabalho, no entanto, na maioria das vezes, os mesmos são enviados às Secretarias de Educação, que por sua vez enviam ao Ministério da Educação, que é quem se encarrega de realizar a demorada análise dos dados. Ou seja, delongam-se anos para que se verifique que os indicadores de repetência, por exemplo, estão muito elevados em uma determinada escola, e aí a solução que precisava ser rápida acaba se prolongando ainda mais, e os alunos ficam sendo os verdadeiros prejudicados com um ensino de má qualidade que teve como agente apassivador a gestão da escola, pois foi a primeira a ter acesso aos dados de elevada repetência, e era então quem poderia buscar melhorias imediatamente.

3 A IMPORTÂNCIA DA ESTATÍSTICA EM SALA DE AULA

            O professor deve trabalhar estatística não só com o intuito de que o aluno compreenda os conhecimentos específicos dessa ciência, mas principalmente com a intenção de que o mesmo desenvolva competências para realizar a análise crítica de dados, gráficos e tabelas.
            Segundo Paris21 (2000), “Estatísticas de boa qualidade (...) aprimoram a transparência e a responsabilidade quanto à prestação de contas na elaboração de políticas públicas, dois elementos essenciais para uma governança adequada, pois permitem que os eleitores avaliem o sucesso de políticas governamentais (...)”. Nesse trecho percebe-se a importância dos dados estatísticos no que se refere ao campo político, pois, através deles, a população tem a oportunidade de fiscalizar e opinar sobre a aplicação dos recursos públicos. Por outro lado, é necessário que o cidadão esteja bem informado e também enrustido de um mínimo de conhecimento estatístico, porque senão correrá o risco de ser enganado por informações distorcidas e enganosas, como por exemplo, gráficos mal elaborados. Daí a importância da estatística em sala de aula, pois é na fase escolar que estará sendo formada uma base sólida nesse sentido.
            O estudo de estatística e probabilidade pode envolver várias áreas do conhecimento, como descreve Lisbeth K. Cordani (2000): “(...) o conhecimento de elementos de Probabilidade e Estatística por parte dos alunos facilitará a realização de trabalhos interdisciplinares e os professores serão os facilitadores deste desenvolvimento”. Sendo assim, abre-se a possibilidade de serem analisados indicadores como mortalidade infantil, crescimento populacional, dados da própria turma ou escola, da casa do educando, índices agrícolas, de preços, enfim. Esse trabalho interdisciplinar será ainda mais atraente aos alunos e menos distante também.


4 CONCLUSÃO

Por fim, percebe-se a importância da estatística para os diversos segmentos da sociedade, inclusive a escola.
No ambiente escolar, o uso de estatística acontece frequentemente através do levantamento de dados pela administração das instituições, no entanto, é preciso que as mesmas realizem também a análise imediata dos indicadores obtidos, e ajam a partir deles. Em sala de aula, o professor deve levar o aluno a desconfiar das apresentações estatísticas que observa no dia-a-dia, criticando-as.


5 REFERÊNCIAS

CORDANI, Lisbeth K. Estatística para todos. Disponível em: <http://wwwredabe.org.br> Acesso em: 25 mai. 2009.

PARIS21. A importância da estatística no desenvolvimento mundial. Disponível em: <http://www.paris21.org/documents/2575.pdf> Acesso em: 25 mai. 2009.


STATISTICS ON SCHOOL EVERYDAY
 
 
ABSTRACT

The use of statistics is present in several areas and their importance grows as the need for accurate results also increases significantly. The school should not be different because the various indicators help in making good decisions; already in the classroom students need to learn to work with statistics to criticize and achieve better reliability analysis of what is presented to them on a day-to-day through the media.


Keywords: Statistics; School; Reliability analysis.

SUGESTÃO DE OFICINA DE MATEMÁTICA (NÚMEROS NATURAIS E NÚMEROS ROMANOS - 5º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL)

Fonte: Google Imagens
* Turma: 5º Ano do Ensino Fundamental

Conteúdos:
- Números naturais (operações, cálculos);
- Números romanos.

Objetivos:
- Resolver cálculos envolvendo operações com números naturais através de jogos, dinâmicas e brincadeiras;
- Compreender o conceito e exercitar aplicações de números romanos utilizando jogos;
- Estimular o raciocínio lógico matemático e o cálculo mental.

Justificativa: Considerando as dificuldades encontradas pelos educandos em resolver cálculos envolvendo operações com números naturais, e ainda em entender o conceito e as aplicações de números romanos no 5º Ano do Ensino Fundamental, produzir-se-á uma oficina pedagógica com o uso de jogos, dinâmicas e brincadeiras, tendo em vista que o emprego dessa sistemática possui características que possibilitam melhores resultados nos processos de aprendizagem.

Metodologia:

Trabalho com números naturais

            Bingo da tabuada: Distribuir para cada aluno duas cartelas contendo os resultados da tabuada, juntamente com um pouco de feijões; em seguida, explicar a atividade (falar para os estudantes que esse jogo funciona basicamente como um bingo normal: o professor retira de uma bolsinha um papelzinho contendo uma operação da tabuada e a fala para todos; aqueles que tiverem a resposta em suas cartelas colocam um feijão em cima (o professor não diz a resposta, mas anota em um papel para conferir com o vencedor no final; os alunos podem conversar e o professor auxilia se persistirem dúvidas); e assim sucessivamente; vence aquele que preencher primeiro as duas cartelas. Mais tarde, deixar os aprendizes sugerirem novas regras).

Trabalho com jogo sobre números romanos

            Antes de dar início à atividade, relembrar números romanos em conjunto com os estudantes (conceito, utilização, exemplos, enfim); após, explicar a prática em si (antes de tudo, formar duplas de alunos pelo número da chamada: o 1 e o 2; o 3 e o 4; etc.; em seguida, explicar que vamos utilizar cartolina, régua, lápis, borracha, canetinha, tesoura para confeccionarmos um dominó sobre números romanos; os aprendizes vão desenhar 28 retângulos de 3x6cm, com uma linha vertical no meio de cada um, de forma que de um lado estejam operações simples de adição ou subtração (5+3; 60-10; etc.) e do outro respostas na forma de números romanos (XIV; XL; etc.) (as operações e respostas vão ser escritas no quadro pelo professor e copiadas pelos alunos nos retângulos). Em seguida, com o uso de tesourinha, os alunos vão recortar as peças, embaralhar e jogar como um dominó comum (havendo possíveis dificuldades, auxiliar as duplas inclusive com a ajuda do quadro).

Recursos:

- Jogos, folhas de rascunho, lápis de escrever, borracha, quadro, giz, tesourinhas, canetinha, cartolina, régua.

ARTIGO: AS TECNOLOGIAS NA ESCOLA

Fonte: Google Imagens
                                                                                     Diego Sebastião Fagundes


RESUMO

A tecnologia na educação reflete o surgimento no mundo de um modo de viver totalmente digital. As pessoas, em seu cotidiano, têm contato direto com mecanismos cada vez mais informatizados e, nesse sentido, a escola procura adequar-se para também poder avançar. Em meio a vários questionamentos, dúvidas e resistências, o uso de tecnologias na escola prossegue e suas propriedades continuam sendo visíveis, dentro é claro de um contrato de regras e de responsabilidades bem definido, visando à aprendizagem.

Palavras-chave: Tecnologia; Escola; Aprendizagem.


1 INTRODUÇÃO

            Já faz algum tempo que o trabalho do professor em sala de aula não se restringe somente ao uso do quadro-negro e do mimeógrafo. Tecnologias como o computador e a internet ganharam força nas últimas décadas, e as metodologias de ensino precisaram percorrer juntas nessa transformação.
            Hoje os recursos tecnológicos estão presentes em praticamente todas as escolas, e os seus bons resultados como ferramentas de apoio pedagógico são considerados incontestáveis por grande parte dos educadores.
            Nesse trabalho serão abordadas algumas características do processo didático-pedagógico que se utiliza das tecnologias disponíveis na escola, dando ênfase aos tipos de mídia existentes, assim como tudo aquilo que tangencia a aprendizagem e a metodologia.


2 OS RECURSOS MULTIMÍDIA EXISTENTES

            São inúmeros os recursos de áudio e vídeo existentes nas escolas. Antigamente, ter um aparelho de TV e vídeo-cassete era considerado artigo de luxo; hoje existem programas do governo que garantem esses itens de forma gratuita, assim como computadores e acesso a internet. Além desses, vários outros equipamentos e mídias podem ser encontrados, como jogos educativos, websites, DVD’s, computadores multimídia, câmeras digitais, tablets, pendrives, etc.
            As escolas que investem em tecnologia já substituíram seus quadros-negros por lousas digitais. Com a imagem de um computador projetada, o professor toca com uma caneta especial a superfície da lousa, podendo escrever ou desenhar (BUFFARA; RAMAL, 2007, p. 27). É imprescindível destacar que a quantidade e a qualidade dos recursos tecnológicos existentes dependem também da realidade local, por isso não se pode comparar, por exemplo, a realidade educacional dos países desenvolvidos com a dos países pobres.


2.1 PRÁTICA DE APRENDIZAGEM UTILIZANDO MEIOS DIGITAIS

            A maioria dos educadores reconhece o enorme potencial da utilização dos meios digitais para o ensino, no entanto, há àqueles que questionam a plena eficiência da prática pedagógica que se beneficia dessa metodologia.

            O especialista no assunto David Buckingham (2007, p.9) descreve: “Existem muito poucas evidências convincentes de que o uso da tecnologia em si aumenta o desempenho dos alunos [...]. Na maioria dos casos, o uso de tecnologia nas escolas é estreito, sem imaginação e instrumental”. Na verdade, essa constatação parece mais ser uma crítica a certas práticas pobres, mas por outro lado, nos leva a pensar em algo que é intrínseco ao uso das tecnologias, ou seja, o planejamento e a orientação da atividade. Se não existirem metas e objetivos bem definidos, e que relacionem a aula com recursos de mídia aos conteúdos propostos, cair-se-á na mesmice de sempre dos joguinhos e de outros aplicativos de pouco ferramental para a aprendizagem. Os estudantes não querem aquilo que já estão cansados de ver em casa; é preciso estimulá-los a, usando as mesmas tecnologias – internet, por exemplo, poder traçar novos caminhos que proporcionem a interação e o conhecimento.
            No contexto da escola multimídia os professores e demais profissionais da educação precisam estar atualizados no que diz respeito às inovações da chamada “era digital”. A sociedade do conhecimento dispõe de recursos que vão muito além do giz, das transparências e do livro didático; o professor que não domina esses recursos é ultrapassado pelos próprios alunos: já entra em sala de aula sabendo menos que eles (BUFFARA; RAMAL, 2007, p. 24). A formação docente compreende também estar atento às mudanças, e o professor que se preocupa realmente em educar, procura saber mais. A resistência em utilizar as novas tecnologias na prática educacional acontece principalmente com educadores mais antigos; os motivos dessa resistência são o comodismo, falta de motivação para preparar aulas mais complexas e ainda o medo de mudança (KLOCH, 2007, p.216).


3 RESULTADOS DAS TECNOLOGIAS NO AMBIENTE ESCOLAR

            Mesmo com algumas contestações, são visíveis as vantagens do uso das tecnologias no ambiente escolar. Quando bem preparado, o trabalho com recursos de mídia enaltece a criatividade dos alunos; estimula o contato entre as pessoas, possibilitando a troca de conhecimento; proporciona a interdisciplinaridade, comunicação e expressão, e o desenvolvimento cognitivo; leva a um contexto de limites e de regras; e, inevitavelmente, “põe o conhecimento na ponta do dedo”.
            A responsabilidade diante de toda essa tecnologia também é considerada importante e tema de estudo. O educando deve ser capaz de compreender que certos recursos, como a internet, por exemplo, expõe um mundo inteiro de informações e que, sem dúvida, ele precisa interagir com elas, no entanto, há uma filtragem e um limite de até onde se pode chegar.


4 CONCLUSÃO

            Por fim, sabe-se que a tecnologia move o mundo atual e que não podemos ficar adversos a esse processo. Os aprendizes de hoje já nasceram em meio a computadores, celulares e outros mecanismos digitais, e a velocidade com que aprendem sobre esses recursos é enorme.
            Não se pode esquecer que o trabalho específico em sala de aula utilizando mídias prevê um planejamento prévio muito bem feito, tanto quanto o que dispõem outras metodologias. As distorções decorrentes de práticas mal elaboradas – as quais são, inclusive, pautas dos questionamentos daqueles que vêm imperfeições no método – tornam as atividades sem sentido, pois o objetivo principal que seria a mediação para a aprendizagem acaba não acontecendo, e os estudantes ficam desmotivados, assim como o professor.
            Enfim, tem-se nas tecnologias ferramentas indispensáveis no ensino dos mais diversos campos do conhecimento, e sua aplicação dentro de um contexto bem elaborado pode produzir resultados fantásticos.


5 REFEERÊNCIAS

BUCKINGHAM, David. Aprendizagem e cultura digital. Pátio, revista pedagógica, Porto Alegre, v. 44, p. 9-11, nov. 2007/jan. 2008.

BUFFARA, P.; RAMAL, A. Muito além do quadro-negro. Pátio, revista pedagógica, Porto Alegre, v. 44, p. 24-27, nov. 2007/jan. 2008.

KLOCH, Prof. Herminio. Informática básica e tecnologias na educação, cadernos de estudos. Indaial: Asselvi, 2007. p. 216.


TECHNOLOGY AT SCHOOL


ABSTRACT

The technology education reflects the rise in the world of a way of living fully digital. People in their daily lives, have direct contact with increasingly computerized mechanisms and in this sense, the school seeks to adjust to also move forward. Amid many questions, doubts and resistance, the use of technology in school continues and their properties are still visible inside course of a contract rules and well-defined responsibilities, aimed at learning.

Keywords: Technology; School; Learning.

sábado, 25 de julho de 2015

ARTIGO: ASPECTOS HISTÓRICOS E CONCEITUAIS DE PROBABILIDADE E ESTATÍSTICA

Fonte: Google Imagens
Diego Sebastião Fagundes

RESUMO

Estudos sobre as antigas civilizações revelam que já naquela época havia uma certa preocupação com a coleta, análise e divulgação de determinados dados, incorrendo inclusive nas tomadas de decisões dos governos locais. Hoje probabilidade e estatística percorrem praticamente juntas um campo muito abrangente e que, sem dúvida, é inerente a vida da grande maioria da população mundial.

Palavras-chave: Estatística e probabilidade; Campo abrangente; População mundial.


1 INTRODUÇÃO

   O estudo de probabilidade e estatística surgiu como um mecanismo muito eficaz no momento em que o homem procurava por novas formas de melhor gerir determinados acontecimentos e informações da sua realidade.
      Hoje em dia o trabalho com tratamento de informações está difundido no mundo inteiro, e suas aplicações influenciam ações e relações em todo tipo de atividade, como agricultura, economia, saúde, vendas, etc.
   Esse artigo relata alguns aspectos sobre o início da utilização da estatística e probabilidade nos mais diversos ramos, assim como o desenvolvimento de sua trajetória ao longo da história e respectiva importância no mundo atual.


2 ORIGENS HISTÓRICAS

    No princípio, os fenômenos estranhos eram vistos com muito misticismo e crendice pelas pessoas, como descreve Rotunno (2007), ao relatar a reação de uma comunidade frente a um acontecimento desconhecido: “Ao tentar justificar sua existência, recorriam a ações de forças ocultas, mágicas ou sagradas. Faziam isso, simplesmente, por uma questão de opinião, sem atribuir juízos de valores”. Como se percebe, os ideais sobrenaturais e religiosos predominavam, pois a consciência ainda era amplamente dominada por pressupostos irracionais.
   Com o passar do tempo, os administradores dos grandes impérios perceberam que era preciso utilizar pesquisas e registros das sequências de alguns acontecimentos – como a quantidade de crianças que nasciam em determinado período, ou quando que ocorriam as melhores chuvas – para melhor organizar e administrar seus domínios. A partir daí poderiam prever o controle de mão-de-obra, de guerreiros, e ainda as melhores épocas para o plantio.
  Desde então, o estudo de probabilidade e estatística tem percorrido a história da humanidade, porém, só no último século é que ganhou força como um verdadeiro “termômetro” dos acontecimentos, indicando variações e tendências diversas.


3 IMPORTÂNCIA DA PROBABILIDADE E ESTATÍSTICA HOJE

  Segundo a Profª. Maria Teresinha Pamplona (2008, p.5), “Pode-se dizer que hoje a probabilidade está fortemente unida à estatística, uma ciência que emprega métodos matemáticos para a coleção, organização e interpretação de dados, com aplicações em praticamente todas as ciências”. Isso significa dizer que existe um laço muito estreito entre as duas atividades, no entanto, uma pode funcionar sem a outra normalmente.
  Hoje, o suporte da teoria estatística e probabilística está presente em diversos segmentos, como processos de eleições, pesquisas de mercado, previsão do tempo, loterias, indicadores socioeconômicos, enfim. É difícil imaginar viver sem o auxílio dessas ciências que ajudam inclusive na tomada de decisões para a melhoria das condições de vida da população. Na escola, o estudo de probabilidade e estatística também toma fôlego, à medida que os assuntos do cotidiano são trazidos para a sala de aula, discutidos e tratados.


4 CONCLUSÃO

   Viu-se, portanto, que a necessidade de reunir informações é que deu origem ao trabalho com probabilidade e estatística, e que sua trajetória ao longo dos séculos culminou na importante ciência de tratamento de dados existente hoje.
   A cada dia que passa nos tornamos mais dependentes de referenciais estatísticos e probabilísticos, e a busca por profissionais qualificados emerge no cenário mundial. Já a credibilidade quanto aos indicadores também tem crescido nos últimos anos, devido principalmente à inserção de novas tecnologias de informática que realizam cálculos com mais precisão e consequentemente margens de erro menores.


5 REFERÊNCIAS


PAMPLONA, Profª. Maria Teresinha. Probabilidade e estatística, caderno de estudos. Indaial: Asselvi, 2008. p. 5.

ROTUNNO, Sandra A. M. Estatística e probabilidade: um estudo sobre a inserção desses conteúdos no ensino fundamental. Disponível em: <http:/dspace.c3sl.ufpr.br:8080/dspace/handle/1884/12350> Acesso em: 02 out. 2008.

HISTORICAL ASPECTS AND CONCEPT OF PROBABILITY AND STATISTICS

ABSTRACT

Studies of ancient civilizations reveal that even then there was some concern about the collection, analysis and dissemination of certain data, incurring including in decision-making of local governments. Today probability and statistics run almost together a very comprehensive field and that undoubtedly is inherent in the life of the vast majority of the world population.


Keywords: Statistics and probability; Comprehensive field; World population.

sábado, 18 de julho de 2015

SUGESTÃO DE ATIVIDADE (A partir do 3º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL - Português - Escrita de palavras)

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A. Tema
Trabalho lúdico com a escrita de palavras.

B. Objetivos
·  Exercitar conhecimentos relacionados à escrita de palavras;
·         Desenvolver a concentração e o raciocínio. 

C. Proposta de Trabalho
Brincadeira chamada “A grande palavra”. Primeiramente formar duas equipes. Cada equipe formará um fila, uma do lado da outra, de frente para a parede. Em frente à parede cada equipe terá a sua disposição uma caixa com uma abertura em cima (suficiente apenas para passar a mão do aluno) contendo uma grande quantidade de letras do alfabeto (a mesma quantidade e as mesmas letras para cada equipe; os alunos não poderão ver as letras na caixa). Os primeiros de cada equipe competem entre si; o professor tira de um saco um papelzinho com um número, por exemplo, 4, e diz já; aí os competidores seguirão rapidamente até as respectivas caixas e irão retirar 4 letras, tendo que mostrá-las para o professor e para os demais participantes. A partir daí cada competidor terá 1 minuto para escrever numa folha de papel a maior palavra que conseguir contendo obrigatoriamente aquelas letras que tirou da caixa (o professor irá cronometrar o tempo; faltando 20 segundos, haverá contagem regressiva); ganha ponto para a equipe o aluno que conseguir escrever a maior palavra (palavra com mais letras); vence a equipe que fizer mais pontos numa rodada, ou seja, quando todos os alunos tiverem participado; perde ponto a equipe que soprar.

SUGESTÃO DE ATIVIDADE (5º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL - Matemática - Múltiplos dos números)

Fonte: Google Imagens
A. Tema
Trabalho lúdico com múltiplos dos números.

B. Objetivos
·         Exercitar conhecimentos relacionados aos múltiplos dos números;
·         Desenvolver a concentração e o raciocínio matemático.
 
C. Proposta de Trabalho

            Brincadeira chamada “Bate palma”. Primeiramente formar um círculo com os alunos (sentados ou em pé). O professor indica um aluno para iniciar (depois, em cada nova rodada, o colega a esquerda deste iniciará, e assim sucessivamente a cada rodada), sendo que o mesmo começará uma contagem em voz alta, a partir do número 1, e os colegas a sua esquerda continuarão: 2, 3, 4, cada um em sua vez dizendo o número que segue (cada aluno falará apenas o número que lhe corresponde). Pois bem, antes de iniciar a contagem, o professor dirá: “Palma para os múltiplos de 4”, por exemplo (a cada rodada o professor pedirá palma para as múltiplos de números diferentes); aí os alunos que, durante a contagem, tiverem que falar números que são múltiplos de 4, ao invés disso, baterão uma palma (1, 2, 3, palma, 5, 6, 7, palma, 9, 10, 11, palma, etc.). A contagem (rodada) encerra no aluno a direita daquele que iniciou (pode ser combinado que a rodada encerre no número 40, por exemplo, nesse caso, ou em outro número). O primeiro aluno que cometer erro durante uma rodada sai do jogo, e inicia-se nova rodada; vence o aluno que chegar até o final sem ser eliminado.

sábado, 4 de julho de 2015

SUGESTÃO DE ATIVIDADE (A PARTIR DO 2º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL - Ed. Física)

Fonte: Google Imagens
A. Tema:

Brincadeira que envolve decisões em grupo


B. Objetivos:

* Desenvolver a socialização e a tomada de decisões em grupo;

* Realizar atividade lúdica de recreação.


C. Proposta de trabalho:

Dividir a turma em dois grupos (escolher um critério para a divisão - sorteio, por exemplo; não há necessidade de os grupos terem o mesmo número de integrantes). O nome da brincadeira é "Coelho, muro, espingarda". Cada grupo se reunirá num lado da sala de aula (ou em outro local) para combinar, sem que o outro grupo perceba, qual gesto será feito - coelho, muro ou espingarda. O gesto do coelho é feito com as mãos erguidas próximas a cabeça, como se fossem as orelhas do animal; o gesto do muro é feito com os braços erguidos bem para o alto; e o gesto da espingarda é feito como se estivessem impondo a mesma para atirar. Os grupos, ao sinal do professor, virão para o centro do local e ficarão um de frente para o outro (os alunos uns do lado dos outros). Aí o professor vai dizer já, e cada grupo fará o gesto que combinou, de forma que ganha ponto o grupo que fizer o gesto que se sobressair sobre o outro (a espingarda vence o coelho, pois "mata" o animal; o coelho vence o muro, pois consegue pular; e o muro, por sua vez, vence a espingarda, pois rebate o disparo; gestos iguais somam um ponto para cada grupo). Podem ser combinadas rodadas para ver quem se sai mais vitorioso.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

SUGESTÃO DE ATIVIDADE (4º E 5º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL - Matemática - Tabuada)

Fonte: Google Imagens

A. Tema:

Trabalho lúdico com a tabuada.

B. Objetivos:

* Memorizar a tabuada através de atividade lúdica;

* Exercitar o raciocínio lógico matemático;

* Desenvolver habilidades e competências relacionadas ao trabalho em grupo.

C. Proposta de Trabalho:


A brincadeira se chama Varal da Tabuada. Dividir a turma em duas equipes com a mesma quantidade de componentes, usando como critério de divisão um sorteio onde cada aluno receberá um papelzinho com um número, sendo que a equipe A será formada por aqueles que receberam números pares, e a equipe B por aqueles que receberam números ímpares. Fixar uma corda, como um varal, em duas extremidades (a atividade pode ser feita em sala de aula ou em local externo). Nessa corda fixar com prendedores de roupas várias folhas de papel (direção retrato) com respostas da tabuada, intercalando, uma virada para frente e outra para trás (as mesmas respostas que aparecerão de um lado do varal deverão aparecer no outro). Organizar as duas equipes diante do varal (aproximadamente 3 metros de distância, na altura do meio da corda), um aluno atrás do outro, de forma que uma equipe fique de um lado do varal, e a outra do outro. O professor dirá uma operação da tabuada e falará "já", e aí os primeiros componentes de cada equipe irão o mais rápido que puderem até o varal e irão pegar a folha com a resposta certa, e irão entregá-la ao professor que ficará numa das extremidades onde a corda foi fixada. Ganha ponto aquele que entregar primeiro a resposta. Resposta errada não conta ponto. Depois de uma jogada o professor recoloca os papeis no varal. Vence a equipe que fizer mais pontos numa rodada (uma rodada se completa quando tiverem participado todos os componentes da equipe).

quinta-feira, 11 de junho de 2015

A IMPORTÂNCIA DE MEMORIZAR A TABUADA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

          A falta de domínio da tabuada é um dos fatores que leva os estudantes a terem dificuldades na aprendizagem matemática. Essa defasagem – que tem origem nos anos iniciais do ensino fundamental – promove problemas que percorrem toda a vida escolar, acadêmica e profissional do aluno.
            Muitos fatores contribuem para que esse quadro ruim ocorra, no entanto, existem condições pedagógicas bastante significativas que podem aprimorar e fazer a diferença no trato com a tabuada. Atualmente o trabalho do professor tem objetivos focados no sentido de que o aprendiz compreenda como se dá a construção da operação de multiplicação (utilizando para isso a soma das quantidades), esperando-se que a partir daí o mesmo passe a ter a habilidade necessária para realizar cálculos. Nesta perspectiva, atividades de memorização têm ganhado pouquíssimo espaço, fato esse que em grande parte se deve ao combate a tão famosa “decoreba”.
            O surgimento dessa nova abordagem trouxe pontos positivos e negativos ao trabalho com a tabuada. Os pontos positivos se referem ao fato de que a prática pedagógica passou a demonstrar com ênfase como ocorre a construção da operação matemática, realidade essa que antigamente era pouco considerada. Já os pontos negativos estão relacionados, sem sombra de dúvidas, a falta de memorização da tabuada. Quando os cursos de formação de professores passaram a orientar para que a atividade docente levasse o estudante a compreender a construção da tabuada, e não a decorá-la, muitos equívocos apareceram e hoje trazem reflexos contraproducentes no ensino de matemática como um todo.
O fato é que é imprescindível que o aluno saiba como se compõem as operações, assim como é imprescindível que o mesmo saiba toda a tabuada “na ponta da língua”. Mas por que é tão importante memorizar a tabuada?
Saber a tabuada é necessário, basicamente, para resolver cálculos de multiplicação. Imagine um aluno dos anos iniciais do ensino fundamental tendo que resolver uma operação com vários números nos dois termos, e que não tem domínio da tabuada. Ele provavelmente tentará usar o conhecimento referente às construções das operações, como por exemplo, para resolver quanto é 7x9, fará 9+9+9+9+9+9+9=63; certamente o resultado será o mesmo do que se ele tivesse memorizado que 7x9=63, mas, por outro lado, observe o tempo e o desgaste que este aluno irá ter para resolver um cálculo médio ou grande. A chance de este estudante desistir devido ao cansaço – ou mesmo errar – é enorme, e são estes tipos de processos que vêm contribuindo para o aparecimento de dificuldades na aprendizagem de matemática. Nesse caso em especial, porque a maioria das atividades docentes não vem cobrando nem incentivando que os aprendizes decorem – ou memorizem, como se diz atualmente – a tabuada, na expectativa de que os mesmos passem a interiorizá-la com o tempo através do conhecimento de como se dá a sua construção.
É essencial que o fazer pedagógico exija que o aluno saiba como se dá a construção da tabuada e, ao mesmo tempo, memorize-a, pois a memorização será a habilidade mais utilizada pelo estudante no decorrer da sua vida no trato matemático com a multiplicação. Por isso o professor não deve abrir mão de técnicas de memorização lúdicas e tradicionais, como por exemplo, jogos, dinâmicas e ditados orais e escritos.

sábado, 6 de junho de 2015

BRASIL: PAÍS QUE VEM CONQUISTANDO QUANTIDADE, MAS QUE AINDA CORRE ATRÁS DE QUALIDADE NO QUE SE REFERE À EDUCAÇÃO


Na última década o Brasil teve um momento de significativas conquistas em diversos setores. Para a educação, uma das conquistas mais comemoradas foi a do aumento do número de brasileiros que passaram a possuir diploma universitário.
Para essa nova realidade contribuíram vários aspectos, dentre os quais os programas de incentivo do governo, a ampliação e flexibilização da educação a distância e o crescimento da economia, que por sua vez impulsionou o rendimento médio da população. Embora essa conquista seja indiscutivelmente excelente do ponto de vista socioeconômico, há de se destacar que o aumento do número de universitários não foi acompanhado pelo aumento na qualidade do ensino a eles oferecido.
Essa constatação é óbvia e perceptível em diversas áreas. Todos os dias os noticiários divulgam dados estatísticos que demonstram a falta de mão-de-obra qualificada, ou seja, os estudantes saem da universidade despreparados para enfrentar a realidade profissional no mercado de trabalho. Quantas vezes se houve dizer que “na universidade é uma coisa, na prática é outra”. Como assim? Então a universidade não prepara para a prática?

A mesma situação ocorre na Educação Básica, onde a preocupação é a de atingir metas quanto ao maior número de matrículas nas escolas, ao passo que a qualidade vem ficando de lado. Hoje temos um país onde o modelo educacional visa à quantidade e se esquece da qualidade, fator esse que entrava o crescimento como um todo e causa atrasos em todos os sentidos.

SUGESTÃO DE ATIVIDADE (4º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL - Matemática - Adição, Subtração, Multiplicação e Divisão)


 
Fonte: Google Imagens
A. Tema
Trabalho lúdico com adição, subtração, multiplicação e divisão.

B. Objetivos
·         Exercitar o cálculo de adição, subtração, multiplicação e divisão;
·         Treinar cálculos mentais através de atividades lúdicas.
 
C. Proposta de Trabalho

            Primeiramente cumprimentar os estudantes. Em seguida explicar como será desenvolvida a atividade no decorrer da prática. O(a) professor(a) iniciará motivando os alunos, e em seguida pedirá que os alunos coloquem as carteiras e cadeiras de lado, deixando livre boa parte do espaço da sala de aula; depois dirá que será realizada uma atividade, a qual se chama “Toca campainha” (o(a) professor(a) formará duas equipes (A e B), com a mesma quantidade de integrantes, utilizando sorteio pelo número do caderno de chamada; em seguida explicará que as equipes ficarão em lados opostos da sala de aula, uma de frente para a outra – um participante do lado do outro, junto à parede, atrás de retas desenhadas no chão pelo(a) professor(a) com giz branco, e no centro da sala estará uma carteira com uma campainha em cima; o(a) professor(a) solicitará que os participantes respondam mentalmente pequenas operações matemáticas (15-9; 22+10; entre outras), sendo que um participante de cada equipe, por vez, e numa mesma ordem, competem entre si, sendo que, aquele que correr ao sinal “já” do(a) professor(a) e apertar primeiro a campainha, tem o direito de responder, ganhando um ponto para a sua equipe se acertar e, caso errar a resposta, o ponto vai para a equipe adversária; será disputada uma competição de melhor de três rodadas – uma rodada ocorre quando todos os integrantes da equipe participarem uma vez; a ordem da posição dos estudantes na fileira da sua respectiva equipe não pode ser alterada numa mesma rodada; a equipe que vencer duas rodadas é a vencedora; o(a) professor(a) auxiliará na organização e orientação das equipes durante a brincadeira, incluindo a anotação dos pontos; se alguém “soprar”, a equipe adversária também ganha um ponto; deverá haver silêncio durante a brincadeira; deverá haver repetição da pergunta se algum competidor sair antes do sinal do(a) professor(a). Por fim, o(a) professor(a) irá solicitar que os estudantes organizem as carteiras e voltem à calma; em seguida o(a) professor(a) questionará os estudantes sobre esta atividade (perguntar se gostaram da aula, se foi interessante, o que poderia melhorar). Ao final, agradecer e despedir-se dos estudantes.

ARTIGO: O MERCADO COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA NO 5º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL: PERSPECTIVAS EM BUSCA DE SABERES MATEMÁTICOS REAIS E SIGNIFICATIVOS


Fonte: Google Imagens


Diego Sebastião Fagundes

RESUMO

Esse artigo abordará a importância do lúdico e das vivências para a educação matemática nos anos iniciais do ensino fundamental, tendo em vista os constantes relatos de dificuldades de aprendizagem advindos quase sempre de práticas docentes abstratas e muitas vezes distantes da realidade dos educandos. Sendo assim, optou-se por um estudo de caso envolvendo estudantes do 5º Ano do Ensino Fundamental, utilizando-se como dispositivo pedagógico a construção de um mercado. Através dessa atividade procurou-se comprovar que a ludicidade e as vivências contribuem de forma muito significativa para a obtenção de uma educação matemática de maior qualidade, pois as atribuições inerentes a essa metodologia atuam de forma muito positiva como agentes facilitadores de aprendizagem e de inserção social.

Palavras-chave: Ensino de matemática. Lúdico. Vivências. Maior qualidade.

1 INTRODUÇÃO

            As “crises pedagógicas” pelas quais o ensino de matemática vem passando há bastante tempo ocorrem em grande parte por causa dos devaneios metodológicos que são empregados em algumas intervenções no trabalho escolar. Toda essa quantidade de abstrações na maneira de ensinar tem influenciado substancialmente para que surjam de uma forma ou de outra as inúmeras dificuldades de aprendizagem aí existentes.
            É importante esclarecer que a abstração é um fator imprescindível na educação matemática, e que portanto não se defende aqui o extermínio desse componente. O que se deseja na realidade é que o docente perceba e se predisponha a entender que em várias situações a inserção de práticas pedagógicas calcadas na ludicidade e no senso comum são as mais viáveis e significativas para o crescimento dos estudantes; através disso o professor também contribuirá para diminuir intervenções puramente mecânicas, técnicas e muitas vezes surreais, que distanciam o fazer pedagógico de seus verdadeiros objetivos.
            De acordo com Brito e Palitot (2004) “[...] um bom professor não se faz apenas com teorias, mas principalmente com a prática e o estímulo a uma ação-reflexão e a uma busca constante de um saber mais e de um fazer melhor”. Enfatiza-se nesse sentido a necessidade de um plano estratégico que contemple momentos concretos onde as vivências dos educandos estejam presentes e diluídas em um projeto interativo de aprendizagem. O educador – e a escola como um todo – precisam ter em mente que o domínio da especificidade da matemática também passa por experimentações lúdicas, e que a amplitude desse envolvimento poderá gerar competências e habilidades que servirão para a vida toda. Quando a aprendizagem realmente acontece os saberes decolam para interações que vão muito além da matemática. Sem dúvida alguma o trato com coisas do cotidiano dos aprendizes e a ludicidade como um todo se encaixam muito bem nessa perspectiva e colaboram de forma expressiva para que os estudantes construam melhor suas idéias e conjeturem de maneira mais eficiente sobre suas ações visando o bem-estar pessoal, social e profissional.
            Tendo em vista os constantes relatos de dificuldades na aprendizagem de matemática nos anos iniciais do ensino fundamental (principalmente aqueles que se referem à solução de problemas e aos desdobramentos monetários) e a grande quantidade de casos de práticas docentes demasiadamente tradicionais, procurou-se realizar uma pesquisa qualitativa de caráter exploratório para tentar responder as seguintes questões: “Por que há tanta dificuldade na aprendizagem de matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental?”; “Qual a abordagem/estratégia capaz de diminuir essa problemática?”. Resolveu-se então proceder-se a um estudo de caso visando apreciar a importância de uma atividade lúdica que envolva situações do cotidiano dos estudantes, objetivando, é claro, melhorias na aprendizagem do programa trabalhado (situações-problema, cálculo mental, operações com números decimais – adição e subtração, troco).
Dessa forma, a construção de um mercado foi escolhida para ser a estratégia a ser aplicada, pois o contexto popular e de inter-relações existente nesse ambiente é considerado bastante produtivo; já os participantes foram aprendizes de uma turma do 5º Ano do Ensino Fundamental de uma escola pública do município de Campo Novo-RS (durante as explanações no texto, em geral, far-se-á menção a “anos iniciais do ensino fundamental”, e não ao 5º ano em particular; o autor desse artigo será indicado por “professor orientador”). Os referidos educandos realizaram todas as etapas da montagem do mercado, desde o recolhimento de embalagens vazias até a participação nas situações de compra e de venda, operacionalizando cálculos com números decimais e desenvolvendo todas as competências e habilidades relacionadas ao conhecimento monetário. Por fim, esses mesmos estudantes contextualizaram as situações vividas na prática, agora no formato de histórias matemáticas copiadas do quadro e resolvidas com o auxílio dos conhecimentos adquiridos na atividade lúdica. No item 3 “Metodologia” desse artigo estarão descritos todos os passos da elaboração e execução da prática, incluindo imagens e registros dos trabalhos dos participantes; no item 4 “Considerações finais” serão discutidos os resultados, as hipóteses e as respostas às questões que fundamentaram o objeto de estudo.
            Através da elaboração deste artigo pretendeu-se comprovar a eficácia do apego pedagógico às situações do cotidiano no ensino de matemática, aliado aos enlaces que envolvem a ludicidade em si. Outra característica que se quer comprovar é a que se refere às atribuições que promovem caminhos para a prática social, e não somente àquelas que servem para o entendimento dos cálculos em si.


2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

            O ensino e aprendizagem de matemática precisa se beneficiar de técnicas, estratégias e abordagens diferenciadas para que se concretize, de fato, o desenvolvimento de competências e habilidades necessárias à aprendizagem da matemática em si, como também às que estabilizam e impulsionam à prática social.
            A cultura matemática nos primeiros anos do ensino fundamental é importante não somente pelo fato de se aprender a fazer cálculos, mas principalmente porque tem a característica de desenvolver o pensamento, a inventividade e a capacidade de agir dinamicamente frente às necessidades do dia-a-dia. Se o educando é estimulado através de situações matemáticas bem estruturadas e postas num plano atrativo e de interação, certamente essas desenvolturas passarão a existir, fortalecendo a modelagem dos conhecimentos matemáticos, assim como as relações intra e interpessoais em geral. Por isso é indispensável que o professor mobilize-se no intuito de vincular metodologias humanizadoras em sua prática docente, promovendo dessa forma ensinamentos reais e objetivos.
            Segundo Piovesan e Zanardini (2008), “A matemática tem valor formativo, que ajuda a estruturar o pensamento e o raciocínio relativo, porém desempenha um papel instrumental, pois é uma ferramenta que serve para a vida cotidiana e para muitas tarefas específicas em quase todas as atividades humanas”. Essa afirmação é bastante oportuna porque esclarece o grande equívoco que ocorre quando o educador insinua sua prática para o desenvolvimento de saberes puramente específicos e dissociados. Mais do que expressões, teoremas e cálculos isolados, o ensino de matemática precisa agregar valores que cristalizem qualidades reais e significativas nos estudantes, como as de consumidores prudentes e conscientes, por exemplo; planejadores de vida eficazes; trabalhadores honestos, responsáveis, dinâmicos e sabedores de seus direitos e deveres; enfim, atributos que qualifiquem os aprendizes para que se tornem agentes transformadores da sociedade.
            Desde já é preciso deixar claro que a intenção nesse estudo não é a de desmoralizar o modelo tradicional de ensino, pelo contrário, entende-se até que em muitos casos é verdadeiramente importante recorrê-lo. O que se deseja na verdade é demonstrar que em certos momentos é imprescindível que se utilize estratégias interativas de aprendizagem e que tenham relação com situações do cotidiano dos estudantes. Essas práticas diferenciadas são recorrentes porque facilitam a compreensão do trato com as operações e com os cálculos, estimulam o raciocínio lógico, desenvolvem as relações interpessoais, além de promoverem a criatividade. Toda essa dimensão enriquecedora contribui poderosamente para a formação de pessoas melhores, tanto no que diz respeito aos conhecimentos matemáticos como nos conhecimentos que se referem à vida em si.
            Ainda sobre esse assunto, vale caber-nos das palavras de Demo (apud FERREIRA, 2007) que afirma que

A sociedade moderna [...] exige um cidadão capaz de estar à sua frente, comandando o processo exponencial de inovação, não correndo atrás, como se fora sucata. Enfrentar desafios novos, avaliar os contextos sócio-historicos, filtrar informações, manter-se permanentemente em processo de formação são responsabilidades inalienáveis para quem procura ser sujeito de sua própria história, não massa de manobra para sustentar privilégios alheios.

            Esse discurso demonstra a necessidade da formação de educandos comprometidos com bons resultados nas mais diversas tarefas do dia-a-dia, daí a importância de uma base escolar aberta e consolidada por ações que invistam nesse sentido. A fragmentação do ensino pode ser considerada como uma das grandes responsáveis pelo fracasso escolar, pois a organização das aprendizagens em compartimentos isolados torna os estudantes meros peritos em determinados assuntos, descontextualizando a significação do conhecimento. Por isso a insistência por práticas dinâmicas e interdisciplinares, já que a conexão de saberes possui um caráter com bem mais propósitos em sua extensão formativa.
Outro aspecto que pode ser considerado como gerador de dificuldades de aprendizagem é o que está relacionado à falta de desprendimento dos docentes no que se refere aos conteúdos programáticos. Muitos professores são reféns do plano de estudos da disciplina, pois insistem em priorizar a totalidade da lista, e não a qualidade. É claro que todos os conteúdos são importantes, no entanto, o educador deve definir prioridades às quais satisfaçam as necessidades globais dos estudantes de forma mais efetiva. A partir desse processo poder-se-á cultivar determinados ensinamentos num contexto construtivista, por exemplo, dependendo, evidentemente, de cada circunstância.
A educação matemática precisa levar em consideração todo o conjunto de ideias, vivências e limitações do educando, para que se concretize de fato um fazer pedagógico mais justo e objetivo. Nesse sentido, buscamos um trecho dos Parâmetros Curriculares Nacionais (Matemática, 1ª a 4ª série), que enfatiza que “[...] o aluno é agente da construção do seu conhecimento, pelas conexões que estabelece com seu conhecimento prévio num contexto de resolução de problemas” (BRASIL, 1997, p.30). A insistência no retorno às coisas próximas dos estudantes é para que se caminhe para um ensino de matemática interessante e útil, com o qual seja possível beneficiar-se de suas aplicabilidades. Na maioria das vezes as dificuldades não estão nos cálculos propriamente ditos, mas sim quando estes estão inseridos como reflexos de situações-problema. Quando isso acontece, o entrave maior quase sempre está relacionado à abstração e/ou falta de capacidade de interpretação do enredo que antecede a solução, daí a necessidade de uma metodologia diferenciada que possibilite mediar essa problemática com maior robustez.
Os processos que envolvem o cálculo mental e a lógica matemática – principalmente nos anos iniciais do ensino fundamental – precisam se beneficiar de estratégias que permitam aos estudantes construir e manipular materiais concretos, pois dessa forma estarão cristalizando ideias e saberes bastante oportunos para o ampliação de conhecimentos matemáticos diversos, inclusive naquilo que diz respeito à negociação com o abstrato. É preciso ter em mente que nem todos os educandos aprendem do mesmo jeito, por isso é fundamental que o educador matemático explore todos os recursos possíveis na tentativa de facilitar a interiorização do entendimento.
Um outro componente essencial na busca pelo desenvolvimento de capacidades e desenvolturas é o ensino e aprendizagem de matemática por meio de resolução de problemas. Especialmente no primeiro ciclo do ensino fundamental, a utilização desse método pode promover o espírito de busca e de inquietação nos estudantes, desencadeando a formação de atitudes criativas, lógicas e que inspiram inúmeros valores. De acordo com Pinto e Soares (2001) “O aluno pensa produtivamente quando é estimulado e desafiado, sendo para isso necessário envolvê-lo em situações-problema para serem resolvidas”. Além dos benefícios para o desenvolvimento de competências e habilidades dentro da própria educação matemática, o método de resolução de problemas também propicia o surgimento de condições que auxiliam nos percursos diários dos estudantes, como inclusive afirmam novamente Pinto e Soares (2001): “O ser humano, em sua vida, quase sempre se depara com situações novas em que deve agir com criatividade, independência e espírito explorador. É possível através de situações-problema desenvolver no aluno desde cedo este tipo de iniciativa”. Contudo, é preciso ressaltar que a maior intensidade pedagógica na prática de solução de problemas matemáticos se dá quando o professor associa momentos de interatividade, manipulação e vivências; sem essa conjuntura a aprendizagem não estará completa, tendo em vista à ausência da experimentação e de suas atribuições.
O saber matemático tem sentido quando o aprendiz tem a oportunidade de atuar em ocasiões orientadas que reproduzam circunstâncias de vida nas quais operacionalize estimativas e expressões que o permita obter perspectivas de uma melhor qualidade de vida. Por isso a insistência no trabalho com cálculos soltos não configura o melhor caminho para o desenvolvimento cognitivo como um todo. Exercícios do tipo “arme e calcule” servem apenas para treinar os processos alusivos às quatro operações, mas não estimulam capacidades como a interpretação e a estratégia, por exemplo.
A inserção do lúdico nas práticas docentes ainda não é feita na proporção em que deveria. Nos meios acadêmicos nota-se pouca ênfase com relação à didática em geral, o que acaba ocasionando fissuras quanto ao conhecimento de novas abordagens pedagógicas e quanto à mediação em si. Sobre essa realidade vislumbramos o trecho abaixo no qual

Negrine (1994) sugere três pilares que sustentariam uma boa formação profissional, com a qual concordamos: a formação teórica, a prática e a pessoal, que no nosso entendimento, a esta última preferimos chamá-la de formação lúdica interdisciplinar. Este tipo de formação é inexistente nos currículos oficiais dos cursos de formação do educador, entretanto, algumas experiências têm-nos mostrado sua validade e não são poucos os educadores que têm afirmado ser a ludicidade a alavanca da educação para o terceiro milênio (apud ROJAS, 2000).

            O termo lúdico vem do latim ludus e quer dizer brincar. Neste brincar podemos inserir os jogos, brinquedos, atividades lúdicas, assim como o nome que é dado ao comportamento dos participantes desses eventos (ROJAS, 2000). A prática que envolve mecanismos lúdicos de aprendizagem contribui enormemente para os ensinamentos matemáticos, pois se trata de um modelo interativo que contempla a manipulação e a experimentação, fato esse que estimula em quase toda sua totalidade aspectos importantes como a criatividade e o pensamento lógico. Essas características favorecem para o desenvolvimento de saberes relacionados ao cálculo mental, à resolução de problemas e a interpretação matemática em si, proporcionando a diminuição considerável das dificuldades nessa área. O trabalho sustentado na abordagem lúdica tem mais sentido quando é organizado ao redor de praticidades, principalmente àquelas alusivas às vivências dos educandos.
            Quando o professor propõe uma atividade lúdica precisa ter em mente objetivos bem claros, pois a falta de intencionalidade pode ocasionar o desestímulo dos estudantes, irracionalizando o uso dessa estratégia. Muitos educadores vêm na ludicidade uma espécie de escape, utilizando-a desorientadamente para suprir, por exemplo, a falta de conteúdos. É necessário que a prática diferenciada (jogos, dinâmicas, brincadeiras, materiais concretos) seja considerada como um caminho que irá auxiliar para a compreensão de determinado conceito ou conhecimento, e não como uma proposta isolada firmada no desprendimento docente. Outro aspecto que precisa ser considerado no uso dessa tendência pedagógica é o que se refere ao bom planejamento da metodologia empregada.
Ainda sobre a necessidade da existência de uma razão para o trabalho com a ludicidade e com os materiais concretos, valemo-nos de um trecho de Fiorentini e Miorim (1990) que afirma que “[...] por trás de cada material se esconde uma visão de educação, de matemática, de homem e de mundo; ou seja, existe, subjacente ao material uma proposta pedagógica que o justifica”. Desse modo, admite-se que a utilização de materiais concretos e de atividades lúdicas em geral só tem validade quando há um ensinamento envolvido; se a proposta é construir uma maquete, por exemplo, o educador precisa saber explicar quais capacidades ou habilidades quer que os aprendizes desenvolvam (escala, noção de espaço, geometria, medidas). Sem isso a estratégia acabará perdendo o foco, determinando um criar por criar, um brincar por brincar.
O emprego de uma metodologia conjunta formada por situações-problema relacionadas ao cotidiano dos estudantes e envolvidas num contexto lúdico de aprendizagem, tem a oportunidade de melhorar significativamente as questões referentes às dificuldades de assimilação de conhecimentos matemáticos. Propostas de historinhas que retratam temas vividos em lojas, padarias, cooperativas, bancos, entre outros, favorecem para que o educador crie momentos interativos na prática, através do “faz de conta”. Nesse formato os aprendizes podem auxiliar diretamente na construção dos materiais usados (maquetes, cenários, dinheiro de mentira), além de participar nos diferentes processos de realização da atividade (pesquisas, entrevistas, falas de personagens).
Por fim, pensamos ser indispensável brindar a importância da ludicidade através das palavras do grande Vygotsky (apud SEÁRA et al., 2005), que dizem que

[...] o lúdico influencia extremamente o desenvolvimento da criança. É através do uso de objetos, projetando situações, criando e recriando regras e procedimentos que a criança aprende a agir, adquirindo iniciativa e autoconfiança. É a experiência que desencadeia o processo criativo e, nesta perspectiva, o brinquedo, o jogo ou atividade lúdica como um todo constituem-se em contextos privilegiados para o desenvolvimento infantil e a construção de conceitos.

            Essa passagem reafirma mais uma vez a intensidade da abordagem lúdica, habilitando-a inclusive para campos interdisciplinares. No entanto, vale ressaltar que os desacertos na aprendizagem de matemática nos anos iniciais do ensino fundamental não serão sanados somente com a inserção de materiais concretos, jogos ou a ludicidade em si; será preciso um grupo de vários métodos e estratégias para que se possa efetivamente diminuir as dificuldades existentes no processo. A maneira como o professor conduz sua aula também influencia fortemente às relações no cotidiano escolar, daí a necessidade de atitudes boas, de melhores posturas e de mediações humanizadoras.


3 METODOLOGIA

            Esse estudo foi realizado na Escola Municipal de Ensino Fundamental Dr. Tancredo Neves, no município de Campo Novo/RS. A instituição foi criada em 31 de dezembro de 1986 e hoje conta com 60 estudantes matriculados nas etapas que vão desde a Pré-escola até o 5º Ano do Ensino Fundamental.
            A turma participante da prática é a do 5º Ano, que possui 10 educandos. Primeiramente foi realizada uma apresentação prévia da intervenção, na qual o professor orientador falou um pouco de si e de sua formação, assim como da proposta de trabalho para o desempenho da atividade (foi feito um comentário de que a tarefa envolverá a construção de um mercado, tendo em vista as dificuldades que muitos estudantes têm em fazer troco e também outras operações que envolvem dinheiro; pediu-se ainda para que o grupo colaborasse e se envolvesse nos trabalhos).
Resolvemos dividir o relato e a descrição da intervenção em períodos que denominaremos “Momentos”, objetivando, é claro, uma melhor compreensão, por parte do leitor, da metodologia aplicada (vale observar que o professor orientador já havia estado na turma duas semanas antes da data de intervenção para solicitar que os educandos trouxessem de casa embalagens vazias de produtos adquiridos em mercados, com o propósito de servirem de apoio à nossa atividade).
1º Momento: Depois da conversa inicial foram formadas duplas por intermédio de sorteio (cada participante retirou de uma caixinha uma tira de papel com o nome de um colega, formando a dupla com o mesmo – conforme iam saindo, as duplas eram denominadas de 1 a 5); logo em seguida, o professor orientador pediu para que os estudantes imaginassem um mercado e descrevessem oralmente as coisas que existissem nele: produtos, caixas registradoras, funcionários, consumidores, açougue, padaria, dinheiro, etc.
2º Momento: Após, o professor orientador disse que a primeira coisa que os participantes iriam fazer era colocar os preços naqueles produtos onde não tinha (ao longo dos últimos dias os aprendizes foram trazendo para a escola embalagens vazias que tinham em casa; o professor orientador também trouxe um pouco e a cozinheira da escola auxiliou da mesma forma, guardando àqueles recipientes obtidos do preparo da merenda escolar; algumas dessas embalagens já tinham o preço fixado, outras não, por isso foi necessário que cada dupla de estudantes recebesse certa quantidade de produtos sem o preço – selecionada pelo professor orientador – para que fossem colocadas etiquetas com os referidos valores; de antemão o professor orientador já sabia quais eram os produtos que não tinham preço, desse modo optou então por fazer uma pesquisa para levantar as cifras; mais tarde o professor orientador escreveu no quadro o nome e o preço de cada produto de forma esquematizada, separando em divisões por dupla para facilitar a escrita nas etiquetas). Quando se concluiu essa etapa os participantes colocaram as embalagens num canto da sala de aula.

3º Momento: No passo seguinte foi explicado para a turma que no instante em que fôssemos representar compras e vendas em nosso mercado utilizaríamos dinheiro fictício. O professor orientador trouxe o dinheiro de mentira impresso em folhas de ofício para que as duplas pintassem de forma semelhante a original (foram confeccionadas todas as cédulas e moedas vigentes em circulação; cada dupla recebeu a mesma quantidade de folhas para pintar e recortar; o professor orientador fez questionamentos aos estudantes sobre o nosso sistema monetário – Real, cores do dinheiro, quantidade de centavos em um real, etc. – e em seguida anotou no quadro os valores de cada cédula ou moeda e ao lado as respectivas cores que as duplas deveriam utilizar para pintar (quadro 1).

MOEDA
QUANTIDADE CONFECCIONADA
COR
1 centavo
10
Laranja
5 centavos
16
Cinza (grafite)
10 centavos
16
Amarelo
25 centavos
10
Amarelo
50 centavos
16
Cinza (grafite)
1 real
10
Amarelo
CÉDULA
QUANTIDADE CONFECCIONADA
COR
2 reais
16
Azul
5 reais
16
Lilás
10 reais
10
Vermelho
20 reais
8
Amarelo
50 reais
6
Bege
100 reais
4
Azul
Quadro 1 – Especificação do dinheiro fictício envolvido na intervenção.

4º Momento: Mais tarde, os estudantes foram lembrados de que as compras precisariam ser carregadas quando saíssem do mercado; por isso cada educando confeccionou um pacote com papel pardo (totalizando 10 unidades) utilizando régua, lápis, tesoura e grampeador (aproveitou-se para comentar sobre a questão ecológica das sacolas de plástico).
5º Momento: Em seguida, os participantes puseram os produtos nas “prateleiras”, formadas por quatro carteiras empilhadas (as duplas 1, 2 e 3 responsabilizaram-se pelos alimentos; a dupla 4 organizou os materiais de limpeza; e a dupla 5 dispôs os produtos de higiene e beleza; foi observado junto aos aprendizes sobre a colocação/separação dos materiais de limpeza, higiene e alimentos nas “prateleiras”, principalmente para que se preservasse as questões de saúde pública – relação com um mercado de verdade/vida real).
6º Momento: Depois os participantes foram orientados a confeccionar demonstrativos com o nome dos produtos e os respectivos preços para anexar junto às “prateleiras” (o professor orientador conversou com o grupo sobre a necessidade desses demonstrativos, ressaltando a importância de ações de marketing e de propaganda nas relações de comércio; em seguida o professor orientador escreveu no quadro um demonstrativo para cada estudante copiar na metade de uma folha de ofício, utilizando pincel permanente; por fim, cada aprendiz fixou seu demonstrativo com fita na região da “prateleira” onde estava o respectivo produto).
7º Momento: Logo após o professor orientador organizou os “caixas” do mercado que iriam registrar e processar as compras (foram colocadas duas carteiras em frente às prateleiras; cada uma foi contemplada com uma pequena caixa de papelão, a qual serviria para acomodar o fluxo de dinheiro do mercado; os “caixas” também foram munidos (cada um) com 10 unidades de notas fiscais fictícias (figura 1), 02 lápis, 02 borrachas, 20 folhas de rascunho e certa quantia em dinheiro).


MERCADO_____________________________________________________
Campo Novo-RS
NOTA FISCAL
Data: ____/____/______
 Qtd.
Produto
Preço por Unidade





















Total

FIGURA 1 – Nota fiscal fictícia.
Fonte: Autor

8º Momento: Por fim, o professor orientador convocou os participantes para eleger um nome para o mercado (os estudantes escolheram um nome e escreveram o mesmo numa tira de papel que o professor orientador entregou; dobraram, e colocaram numa caixinha; em seguida um integrante sorteou um papelzinho, o qual definiu o nome escolhido: “MERCADO COMPRE AQUI”; o professor orientador escreveu com pincel permanente o nome sorteado numa folha de ofício e fixou logo acima das “prateleiras”).
9º Momento: Depois que o mercado ficou organizado, o professor orientador pediu a atenção dos participantes para explicar como seria nossa interação na prática (o professor orientador falou que iria ser feito um rodízio onde primeiramente uma dupla faria o papel de caixas registradores, e a outra dupla faria o papel de compradores, até que todos tivessem participado das duas atuações; o professor orientador dará uma lista de compras para cada comprador (quadro 2)1 e certa quantia em dinheiro; cada comprador irá se dirigir às “prateleiras” para apanhar os produtos da lista e em seguida passará nos “caixas” para efetuar a operação de compra; os “caixas” deverão preencher a nota fiscal com os dados do produto, fazer os cálculos, receber o pagamento e dar o troco para o comprador (o professor orientador motivará os “caixas” e os compradores para efetuarem os cálculos mentalmente (valor da compra e troco); havendo dificuldades poderão utilizar os rascunhos); depois disso os “caixas” deverão colocar os produtos nos pacotes e entregar para os compradores; cada comprador, por sua vez, terá que trazer as compras, o troco e a nota fiscal de forma correta para o professor orientador conferir; o professor orientador irá recolher as notas fiscais preenchidas pelos participantes, assim como os rascunhos que por ventura utilizarem; a ordem para participar da atividade foi estabelecida pelo professor orientador: primeiramente a dupla 1 começa como “caixa” e a dupla 2 como compradora, depois trocam entre si; em seguida a dupla 3 e 4 repetem a mesma sequência respectivamente; e por fim a dupla 5 inicia como “caixa” e a dupla 1 como compradora, e depois invertem os papéis).

PRODUTOS
QTD. DE DINHEIRO ENTREGUE PELO PROFESSOR ORIENTADOR
VALOR DO TROCO
Lista 1:
01 margarina Soya 1 kg – R$2,45
01 creme dental Sorriso 100g – R$1,95
01 detergente Limpol 500ml – R$1,35
R$6,00
R$0,25
Lista 2:
01 shampoo Clear – R$10,50
R$15,00
R1,50
Quadro 2 – Especificação das listas e rotinas de compras
PRODUTOS
QTD. DE DINHEIRO ENTREGUE PELO PROFESSOR ORIENTADOR
VALOR DO TROCO
01 cera amarela Sacy – R$2,75
01 caixa de fósforos Queluz – R$0,25



Lista 3:
01 Nescafé Tradição – R$4,00
01 óleo de soja Soya 900ml – R$2,35
01 leite Bom Gosto 1 lt– R$1,34
R$8,00
R$0,31
Lista 4:
01 OMO Multiação 1 kg– R$6,00
01 creme dental Sorriso 180g – R$2,70
01 doce de frutas Incotril 400g – R$2,35
R$12,00
R$0,95
Lista 5:
01 condicionador Skala 1000g – R$5,00
01 margarina Qualy 500g – R$3,99
01 desinfetante Ajax 500ml – R$3,10
R$15,50
R$0,41
Lista 6:
01 Nescau 400g – R$4,30
01 óleo de soja Camera 900ml – R$2,30
01 creme dental Colgate 90g – R$1,80
R$10,00
R$1,60
Lista 7:
01 shampoo Pantene 200ml – R$8,80
01 amaciante Fofo 500ml – R$6,80
R$20,00
R$4,40
Lista 8:
01 café Amigo – R$3,10
01 caldo de galinha Kitano – R$2,45
01 nata Piá 200g – R$2,30
R$10,00
R$2,15
Lista 9:
02 corantes para tecido Tingecor – R$1,35
R$5,00
R$2,30
Lista 10:
01 gel fixador Bozzano – R$3,48
01 gelatina Apti 85g – R$0,70
R$5,00
R$0,82
Quadro 2 – Especificação das listas e rotinas de compras

            10º Momento: Após a realização da atividade lúdica o professor orientador chamou os estudantes para que sentassem em seus lugares com o objetivo de fazer uma breve socialização da prática (questionamentos sobre o que os participantes mais gostaram; sobre as dificuldades, aprendizagens e um comentário do professor orientador da importância desse tipo de atividade). Mais tarde o professor orientador anotou no quadro duas situações-problema em forma de histórias matemáticas semelhantes àquelas vividas nas atividades do mercado; os aprendizes foram orientados a copiar as histórias matemáticas nas duas folhas de ofício entregues pelo professor (uma em cada), e resolvê-las; os estudantes não precisaram se identificar; depois de concluída a tarefa o professor orientador recolheu os trabalhos dos estudantes, agradeceu a todos e finalizou a prática de intervenção, despedindo-se.

Atividade 12:
            Daniel recebeu uma lista de compras do mercado com os produtos da tabela abaixo, e mais R$12,50 para o pagamento:
Qtd.
Produto
Preço
01
Condicionador Skala 1000g
R$5,00
01
Margarina Soya 500g
R$3,99
01
Desinfetante Ajax 500ml
R$3,10

a) Qual o valor total da compra realizada por Daniel?
b) Quanto de troco Daniel recebeu no caixa do mercado?

Atividade 2:
            A mãe de Pedro pediu para que ele fosse ao mercado e comprasse os seguintes produtos:
01 hidratante Nívea → R$5,50
01 desodorante Dove → R$4,90
01 molho de pimenta Kitano → R$3,95

            Ela deu R$15,00 para ele fazer o pagamento, e recomendou para trazer o troco direitinho.
a) Quanto Pedro gastou no mercado?
b) Quanto restou de troco?


3.1 Resultados e discussões

            O primeiro aspecto marcante dessa prática de intervenção ocorreu no momento da formação das duplas. A ideia do professor orientador no instante em que planejou a dinâmica do sorteio era exatamente a de que a composição dos pares se desse de maneira organizada, justa e que permitisse que os estudantes trabalhassem com parceiros diferentes daqueles que estavam acostumados na rotina em sala de aula; sendo assim, criar-se-ia a expectativa (que se confirmou) de que fossem realizadas possíveis trocas de ideias, de saberes matemáticos e de valores em geral, exaltando contundentemente as vivências e a socialização. Nesse sentido, registramos o diálogo entre um participante da atividade e o professor orientador, no qual o primeiro demonstra descontentamento com o nome do companheiro sorteado (aqui utilizaremos a letra “E”, seguida dos números de 1 a 10 para indicar os nomes dos estudantes participantes da prática, e as letras “PO” para designar “professor orientador”):
E3: Professor, não vou sentar com o E2!
PO: Por que não?
E3: Porque ele não sabe nada e aí só a gente que faz as “coisa”.
            Impasses como estes tornam-se muitas vezes verdadeiras batalhas, dificultando as tarefas escolares. Nesse caso, em especial, buscou-se o diálogo com o aprendiz, procurando mostrar-lhe os aspectos bons daquele momento, tendo em vista a possibilidade de ele próprio auxiliar para que o colega desenvolvesse a iniciativa, a vontade e a capacidade de agir. Em suma, o professor orientador tentou motivar os dois participantes, mostrando-lhes as possibilidades de cada um. Após algumas contestações percebeu-se a eficácia da mediação no conflito, a medida que a dupla começou a produzir suas atividades de forma mais efetiva e harmoniosa.
            A questão de como carregar as compras também foi muito bem-sucedida, pois através da confecção de pacotes de papel foi possível salientar pontos importantes relacionados à preservação do meio ambiente, sobretudo no que se refere ao tempo de decomposição das sacolas de plástico na natureza. Essas implicações interdisciplinares são bastante favoráveis porque promovem maiores rentabilidades pedagógicas e de assimilação de conhecimentos. Já com relação ao momento em que os aprendizes foram orientados a organizar os produtos nas “prateleiras”, observou-se um diálogo bastante interessante com base nos diferentes pontos de vista:
E10: Gente, como é que vai ficar uma “pasta de dente” aqui e a outra lá no outro lado? Tem que ficar tudo junto!
E3: E tem que “deixa” a marca virada pra frente.
            Nesse instante o professor orientador deixou que as duplas organizassem livremente as embalagens. Contudo, percebeu-se através do diálogo a preocupação do participante E10 com os arranjos e a estética da “prateleira”; o participante E3, por sua vez, indicou que os rótulos dos produtos deveriam ficar posicionados para frente, ou seja, para a direção onde os consumidores pudessem ver. Por outro lado, à medida que os produtos eram organizados, notava-se que as duplas não observavam a separação quanto ao gênero, ficando, por exemplo, os alimentos junto com os materiais de limpeza. O professor orientador interveio, questionando:
PO: Será que é correto colocar comida junto com materiais de limpeza?
E(Todos):(Silêncio...)
PO: Num mercado de verdade será que é assim que acontece?
E(Todos): Não!
PO: Por que é que lá são separados?
E1: Pra quando a gente for “compra” “sabê” que ta tudo lá separado, cada coisa num lugar.
E6: Eu acho que é porque cada coisa tem uma prateleira.
            O diálogo demonstra que os participantes buscaram respostas parecidas para a questão, e que não estavam erradas. No entanto, eles ainda não tinham se dado conta de que o problema maior era o que envolvia aspectos de saúde e de higiene, e não só os relacionados à dificuldade em encontrar determinados produtos pela falta de seções distintas. Aproveitando esse momento o professor orientador fez uma conversação sobre vigilância sanitária e intoxicação alimentar, esclarecendo todas as dúvidas dos estudantes.
            Já nas interações com o mercado “em funcionamento” foi possível observar que a turma em geral demonstrou muitas dificuldades para realizar cálculos simples de soma e de subtração; na maioria dos casos percebeu-se a falta de interesse por parte dos educandos, pois diante de determinados cálculos nem ao menos pensavam na técnica de resolução, e já iam perguntando a resposta para o professor orientador. Ao se perceber essa sistemática resolveu-se insistir mais para que os participantes buscassem uma solução, o que acabou configurando em resultados satisfatórios. Os participantes E2 e E5 tiveram maiores dificuldades para realizar os cálculos mentalmente, aí usaram o rascunho.
            É interessante destacar uma determinada passagem onde um aprendiz que fazia o papel de comprador percebeu que o “caixa” havia feito um cálculo errado, cobrando a mais pelos produtos:
E5: Deu R$16,60.
E8: Não, ta errado. Tem que dá R$15,60. Não adianta “quere” me “logra”.
            Nota-se que o participante E8 fez o cálculo mentalmente (8,80+6,80) e de forma correta. O participante E5, que fazia o papel de “caixa”, também o fez, mas de forma errada; desse modo, resolveu-se utilizar o rascunho para tirar a dúvida:
E5: É mesmo, dá R$15,60. É que eu tinha feito na minha cabeça que 8+6 dava 15, e daí mais 1 dava 16.
            Essa situação foi fantástica porque mostrou que o aprendiz E8 soube agir como um consumidor atento aos seus gastos, não se deixando enganar na hora de pagar e receber o troco. Atitudes como estas certamente serão levadas para a prática na vida cotidiana.
            Foi marcante, no entanto, a naturalidade com que as relações de compra e de venda aconteceram durante a atividade no mercado. Surpreendeu o fato dos participantes não terem questionado, por exemplo, sobre qual operação matemática utilizar quando tinham que somar os valores dos produtos (adição) e depois descontar do valor que o comprador dava para pagar (subtração). Quando se trabalha de uma forma totalmente tradicional geralmente aparecem questões do tipo “Essa conta é de mais ou de menos professor?”. Outro aspecto interessante foi o predomínio da calma e da motivação durante as tarefas.
A passagem para os problemas matemáticos escritos no quadro também foi muito interessante. Observou-se que a prática anterior havia auxiliado para que os estudantes fizessem a interpretação das histórias matemáticas com muito mais facilidade; do mesmo modo os arranjos e cálculos surgiram de maneira mais segura e objetiva. Esse contexto é extremamente gratificante, pois evidencia as contribuições da intervenção lúdica para a construção de um modelo de educação matemática firmado em evoluções realmente significativas.


4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

            Com a realização desse estudo foi possível comprovar a eficácia do uso da abordagem lúdica e das vivências na educação matemática nos anos iniciais do ensino fundamental, tendo em vista as visíveis melhorias observadas através da prática de intervenção.
            Ficou claro que as inúmeras dificuldades existentes no ensino de matemática nessa etapa ocorrem porque a maioria dos professores ainda não desenvolveram uma visão lúdica apurada, sobretudo no que se refere às questões de lógica e de estratégia envolvidas num contexto de proximidade para os educandos. Toda essa conjuntura precisa ser elaborada com o intuito de promover a experimentação e a praticidade dos atos, senão não será dado o verdadeiro sentido à aprendizagem. As inserções puramente abstratas possuem a característica de contemplar alguns poucos, por isso as lacunas desse processo causam tanto transtorno.
            Sem dúvida alguma, estratégias modeladas por propostas de ludicidade e de interações do cotidiano podem auxiliar em muito para diminuir a problemática das dificuldades na educação matemática que ocorrem nos primeiros anos do ensino fundamental. A prática da montagem de um mercado aqui realizada comprovou essa máxima, pois a partir dela os estudantes conseguiram fazer troco e operacionalizar com dinheiro de maneira espontânea e prazerosa; também conseguiram perceber as dinâmicas dos cálculos com muito mais facilidade. Esse trabalho ainda permeou o trato com o abstrato, visto que no momento em que os educandos precisaram demonstrar seus conhecimentos de forma escrita, fizeram várias referências à atividade feita anteriormente. Além disso, a promoção de valores foi fortemente estabelecida através de mecanismos de socialização, o que elevou o pleno desenvolvimento para a prática e a justiça social.
            Contudo, deixamos aqui a sugestão para que os educadores invistam em metodologias diferenciadas que permitam aos educandos cristalizarem saberes matemáticos reais e significativos, já que a insistência em conhecimentos específicos não contribui muito em sua totalidade para a formação de cidadãos verdadeiramente preparados para as mais diversas situações da vida cotidiana.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


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VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. In: SEÁRA, Everton F. R. et al. Supermercado virtual: uma abordagem lúdica para auxiliar a aprendizagem de matemática no ensino fundamental. Disponível em: <http://www.unisinos.br/_diversos/congresso/sbc2005/_dados/anais/pdf/arq0001.pdf>. Acesso em: 29 set. 2010.


MARKETING AS STRATEGY IN 5 YEAR TEACHING OF ELEMENTARY EDUCATION: PERSPECTIVES IN SEARCH OF REAL AND SIGNIFICANT MATHEMATICAL KNOWLEDGE

ABSTRACT

This article will address the importance of play and the experiences of mathematics education in the early years of elementary school, in view of continuing reports of learning difficulties arising from teaching practices often abstract and often far from the reality of students. Therefore, we chose a case study involving students in the 5th year of elementary school, using as a pedagogical device to build a market. Through this activity we sought to prove that the playfulness and experiences contribute very significantly to the achievement of a higher quality of mathematics education, because the duties inherent in this methodology in a very positive act as agents and facilitators of social learning.

Keywords: Teaching Math. Recreation. Experiences. Higher quality.




1 As listas de compras que os compradores receberam se resumem ao item “Produtos” (sem a indicação dos preços) do quadro; os demais dados servem apenas para ilustrar melhor a dinâmica dos processos de compra.

2 A lista de compras da Atividade 1 é a mesma Lista 5, do Quadro 2.